|
Elaborei esse texto na intenção de auxiliar na sua decisão de realizar uma cirurgia plástica, esclarecendo algumas dúvidas e explicitando algumas informações que, por muitas vezes, não são de conhecimento leigo ou são propositalmente omitidas.
De uma forma simples, quero lhe ajudar a definir com quem, quando e onde realizar um procedimento, sendo este EFICAZ E SEGURO. É objetivo tanto do paciente e de seus familiares como também de seu cirurgião plástico que “tudo dê certo” com a cirurgia.
A primeira coisa é decidir qual o seu profissional. Um fato: UMA CIRURGIA PLÁSTICA DEVE SER REALIZADA POR UM CIRURGIÃO PLÁSTICO. Fugir deste preceito já pode fazer as coisas não saírem como esperado. Ser membro da nossa Sociedade é obrigação do profissional que estiver procurando. Assim sendo, procure avaliar alguns detalhes para lhe garantir uma MAIOR CONFIANÇA, como sua postura ética-profissional, a firmeza das explicações, o grau de conhecimento científico e seu interesse na atualização continuada. Chamamos isso de RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE, que se for bem estabelecida, é um ótimo passo para que o sucesso seja alcançado. Além disso, se o estiver procurando através de indicação de colegas, é provável que os resultados vistos estejam de acordo com as suas expectativas.
De acordo com os princípios éticos básicos de respeito pelo ser humano, é fundamental que todas as informações necessárias sejam transmitidas pelo profissional que estiver à procura, de uma forma clara e elucidativa. É determinação da Constituição Federal, através da Lei Máxima, de acordo com o fundamento da “Dignidade da Pessoa Humana”, que impõe a obrigação com o cumprimento do acesso à informação. Para isso existe o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e a apresentação deste é uma das formas de determinação de um bom profissional. É a boa-fé do agir.
Sobre quando realizar uma cirurgia, na maioria das vezes isso é definido pelo próprio paciente. Entre outras palavras, quase sempre o paciente é quem realmente sabe se está ou não na hora de se fazer uma cirurgia plástica. Digo “quase” porque vemos em nossas clínicas, apesar de infrequentes, pessoas com distúrbios psicológicos ou distorções da identidade corporal que ultrapassam os limites, tornando o procedimento perigoso quanto a busca de resultados impossíveis. Seu cirurgião deve avaliar e identificar esse tipo de problema.
Na mídia é comum, como forma de atratividade, o aparecimento de técnicas e procedimentos cada vez mais simples, com resultados cada vez mais impressionantes, e retorno às suas atividades cada vez mais curtos. DESCONFIE SEMPRE DISSO. Podemos chamar isso de banalização da nossa especialidade. Cirurgia plástica é objetivo, e se esse objetivo é maior, provavelmente o trabalho técnico também o será. Converse bastante com o seu profissional a respeito das SUAS EXPECTATIVAS, aliando sempre ÀS POSSIBILIDADES EXISTENTES. Existem fatores que não dependem da atenção do cirurgião plástico e, portanto, “não lhe será possível garantir todos os resultados”. A qualidade de uma cicatriz, por exemplo, está intimamente relacionada a fatores individuais, hereditários e hormonais, além de outros elementos nos quais o cirurgião não pode interferir.
Discutir com o profissional onde será realizada a sua cirurgia é também um importante fator. Siga uma regra: SEGURANÇA É PRIMORDIAL. Procure referências do estabelecimento, estrutura física, suporte de UTI (se necessário), higiene, esterilização de material, dentre outros... Não coloque sua cirurgia, e, principalmente, sua vida em risco em busca de melhores preços ou maior comodidade.
Estão sendo recriminados, cada vez mais pela nossa Sociedade, os financiamentos em cirurgia plástica. Do ponto de vista ético, está assim havendo uma “inversão de valores”, em que primeiro o cliente é “captado”, para somente depois ele conhecer o profissional ao qual irá se submeter ao procedimento. Andamos vendo pacientes, às vésperas de sua cirurgia, AINDA SEM CONHECER o seu profissional. Um absurdo que deve ser evitado. Os honorários médicos, como chamados, devem ser discutidos com o próprio.
Agradecendo a atenção, Ernando Ferraz - membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
|