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Thaciana Gomes, CREFITO: 83414-F


Data de publicação no site: 19/01/2010
O handebol é um esporte de alta intensidade com constante contato físico entre os jogadores. Algumas mudanças na composição corporal dos jogadores, no estilo de jogo e nas regras tornaram seus praticantes mais suscetíveis as lesões.

 INTRODUÇÃO

           

Nas últimas décadas a exigência de um melhor desempenho dos atletas vem crescendo e consequentemente o número de lesões. O handebol é um esporte coletivo, rico em movimentos, que quando mal executados por razões técnicas ou limitação física, potencializam o aparecimento de lesões; existem colisões, que podem ocorrer com o solo e/ou adversários, que também aumentam o risco de lesões (ELENO, BARELA, KOKUBUN, 2002). 

Esta modalidade é um esporte olímpico que surgiu da fusão dos elementos que compõem o basquetebol e o futebol, apresentando características e regras próprias e que pode ser praticado em campo, na quadra ou na areia. Essa modalidade permite aos praticantes que aprimorem qualidades físicas, psíquicas, sociais e morais, sendo necessária velocidade, força, resistência aeróbica e anaeróbica, controle emocional, inteligência, entre outros itens para desenvolvê-la (TENROLLER, TENROLLER, 2006).

A posição e os movimentos básicos de um jogador de handebol oferecem inúmeras condições de resolver as situações, sendo os principais: corrida, salto, o passe da bola (que pode ser por trás do corpo, por trás da cabeça, em frente do abdome e de lado), choque corporal e bloqueio dos arremessos (onde estes podem ser por cima do braço do defensor, com queda, baixa, de costas para o gol, com queda para frente ou com salto) (ZAMBERIAN, 1999).

Durante a prática desse esporte ocorrem períodos de esforços e de recuperação; embora o tempo gasto nos esforços de baixa intensidade seja maior em relação aos esforços de alta intensidade, podem ocorrer aproximadamente 300 arrancadas e alterações na direção do movimento durante um jogo (MACEDO, 2008).

            Atualmente o handebol tem evoluindo muito e cada vez mais se procura forçar o erro do adversário, pelas constantes saídas e pressões dos defensores. A velocidade, força e peso dos atletas de handebol aumentaram nos últimos anos; o tempo de jogo ficou mais intenso e tem-se dado mais atenção para a intensificação da força do arremesso (VLAK, PIVALICA, 2004).

O potencial de lesão nesse esporte é devido ao seu caráter dinâmico e pelas regras serem muito menos restritivas do que no basquetebol (SEIL et al, 1998). Algumas novas regras que foram adicionadas (como a que penaliza a falta de efetividade no ataque e a proibição da manutenção da bola em poder dos jogadores por mais de três segundos sem quicar a bola) aumentaram a freqüência de ataques e ações rápidas, o que eleva ainda mais o potencial de lesão (MACEDO, 2008).

O objetivo desta pesquisa é identificar e caracterizar, através de um questionário, as lesões em atletas de handebol da cidade de João Pessoa, Paraíba. Ao identificar o perfil epidemiológico das lesões nesses atletas, o presente estudo pretende apontar as principais ocorrências de localização, mecanismos e tipos de injuriam. Essas informações podem facilitar futuros trabalhos de prevenção e/ou reabilitação para aprimorar o desempenho do atleta, através do conhecimento exato das causas das lesões.

           

MATERIAL E MÉTODOS

 

            A metodologia desse estudo baseou-se em um questionário adaptado de Carazzato, Cabrita e Castropil (1996), que foi respondido pelos atletas de handebol da cidade de João Pessoa - Paraíba.

A pesquisa constou de 61 atletas pertencentes a quatro equipes da cidade de João Pessoa; para a seleção da amostra foram utilizados os seguintes critérios de: ter idade superior a 18 anos, estar treinando a pelo menos um ano e participar de uma equipe competitiva. De todos os questionários respondidos, dois foram eliminados: um pelo atleta não ser competidor em nenhum nível e outro pela falta de informação fornecida pelo atleta. Ao final, a amostra foi composta por 59 atletas.

 O questionário apresentou os seguintes itens: identificação do atleta como nome, idade atual, idade inicial da prática do handebol e idade inicial do handebol competitivo, nível de competição atingido, dominância, posição de jogo e lesões sofridas. O preenchimento do questionário foi realizado pelos atletas mediante a explicação do mesmo pelos pesquisadores, além da supervisão e revisão deste para auxiliar e/ou corrigir possíveis dúvidas.

Os dados obtidos com o questionário supracitado foram tabulados estatisticamente e apresentados em forma de tabelas e gráficos do programa Microsoft Excel 2003. A partir dos dados coletados desenvolveu-se a análise que gerou subsídios para a discussão e posterior conclusão.

Para o desenvolvimento dessa pesquisa procurou-se inicialmente o embasamento científico e técnico através de revisão bibliográfica em livro, artigos nacionais e internacionais e trabalhos publicados a respeito do tema estudado.

 

 

ANÁLISE E DISCUSSÃO

 

A amostra foi composta por 59 atletas, onde 45.76% (n=27) são do sexo feminino e 54.24% (n=32) são do sexo masculino. A faixa etária possui uma grande extensão, indo de 16 até 41 anos, com média de 25 anos (DP=5,83) (GRÁFICO 1).

 

             Gráfico 1 – Distribuição da faixa etária e do sexo dos atletas entrevistados.

           

Com relação à idade de início no handebol, encontrou-se desde crianças com 4 anos até adultos de 20 anos, com idade média de 12,2 anos (DP=2,8). Levando em consideração os anos de prática dessa modalidade, também foi encontrada uma grande discrepância que varia desde 4 anos até 30 anos de treino, com média de 12,6 anos (DP=5,46) (GRÁFICOS 2 e 3).

 

 

Gráfico 2 – Relação do início da prática do        Gráfico 3 – Relação dos anos de prática do

handebol.                                                              handebol.

 

            Ao perguntarmos qual o nível de competição atingido por esses atletas, 64.4% (n=38) responderam que competem a nível estadual. Considerando a idade de início da fase competitiva, encontramos desde crianças, iniciando a fase competitiva aos 8 anos, até adultos que iniciaram aos 26 anos, com média de 14,16 anos (DP=3,14) (GRÁFICOS 4 e 5). O lado de dominância predominante foi o direito com 74,58% (n=44).

 

 

 Gráfico 4 – Relação das lesões com o nível       Gráfico 5 – Relação da idade de início da fase

 competitivo atingido.                                           competitiva.

 

Considerando a posição de jogo de cada atleta, encontramos 22,05% (n=13) como armador central, pivô e ponta direita com 15,25% (n=9) cada, meia esquerda com 13,55% (n=8), goleiro com 11,86% (n=7), ponta esquerda com 8,48% (n=5) e meia direita com 1,7% (n=1). Ainda encontramos que 11,86% (n=7) dos atletas jogam em mais de uma posição (GRÁFICO 6).

           Gráfico 6 – Distribuição dos atletas por posição de jogo.

 

Ao analisarmos as lesões, foram descritas 210 eventos, onde a extremidade superior foi envolvida em 38.1% dos casos e a extremidade inferior foi envolvida 40,47% das lesões; os locais mais acometidos foram tornozelo 17,61% (n=37), ombro 14,28% (n=30), joelho 13,8% (n=29) e mãos e dedos 12,85% (n=27); porém apenas 157 lesões foram especificamente relatadas nos questionários por alguns atletas terem mais de quatro lesões (espaço que foi destinado para especificar as lesões mais sérias) (GRÁFICO 7).

Gráfico 7 – Distribuição das lesões com relação ao local acometido.

 

Levando em consideração as lesões por extremidades, não pudemos observar neste estudo uma discrepância entre as extremidades inferiores (40,47%) e superiores (38,1%), diferentemente do encontrado por outros estudos em que, no handebol, as extremidades inferiores são mais acometidas que as superiores. Quanto aos locais mais lesados, os resultados encontrados corroboram com os estudos de Dirx, Bouter e Geus (1992), onde o tornozelo aparece em primeiro lugar; também se assemelham a pesquisa de Seil e colaboradores (1998) que descreveram o joelho, dedos, tornozelo e ombro como sendo os locais mais afetados, respectivamente.

Ao observar o gráfico seguinte, a maioria das lesões descritas ocorreu durante as competições com 88 casos quando comparados com 66 casos em treinos e 3 em outras ocasiões como no lazer, por exemplo (GRÁFICO 8). Esses dados são confirmados pelo estudo de Seil e colaboradores (1998), onde as lesões ocorreram mais durante as competições. Eles atribuem esse episódio ao fato de que os jogos são mais intensos e possuem mais situações de contato físico que no treino, sendo refletido por um alto número de lesões causadas por jogadores da oposição.

Gráfico 8 – Distribuição das lesões de acordo com o período de ocorrência.

           

Os diagnósticos mais relatados foram contusão 29,95% (n=47), entorse 26,75% (n=42), luxação e lesão muscular 13,38% cada (n=21) (GRÁFICO 9). Não foram encontrados trabalhos que contabilizaram os diagnósticos das lesões, porém nos estudos de Langevoort e colaboradores (2007), os quais analisaram as lesões do handebol durante torneios internacionais, foi relatado que o diagnóstico mais frequente foi a contusão da cabeça e o entorse de tornozelo.

                  Gráfico 9 – Distribuição dos diagnósticos das lesões.

 

Os tipos de tratamentos utilizados após a instalação das lesões citadas estão relatados no gráfico abaixo. Foram realizados 203 tratamentos (alguns atletas utilizaram mais de uma modalidade de tratamento) e constatou-se a utilização,  primeiramente, do repouso 36,45%  (74 casos) seguido pela imobilização 32,51% (66 casos) e depois a fisioterapia 19,21% (39) como recurso de tratamento mais adotados, sendo a cirurgia e outras modalidades não apresentaram significância em relação aos já citados (GRÁFICO 10). Uma hipótese para adotar essa sequência de recursos pode ser pelo grau de complexidade de cada, como o repouso, a imobilização e, em seguida, a fisioterapia ou ainda pelo primeiro recurso ter apresentado sucesso não necessitando dos demais. Nos estudos realizados por Sanches e Borin (2008) foi relatado que o tratamento conservador foi o resurso principal para tratar as lesões sofridas pelos atletas de handebol da pesquisa, confirmando os dados aqui encontrados.

                Gráfico 10 - Distribuição da terapêutica utilizada para o tratamento das lesões.

 

 

CONCLUSÃO

 

            Pelas características de jogo, o handebol é considerado um esporte que deixa seus praticantes muito suscetíveis a lesões. Neste estudo nós nos propusemos a identificar o perfil desses atletas e suas lesões para que políticas de prevenção possam ser elaboradas e aplicadas, a fim de melhorar o desempenho nessa modalidade.

            Dois fatos nos chamaram muito a atenção. O primeiro foi a falta de disciplina e cuidados após a lesão, onde muitos atletas que haviam sofrido algum tipo de lesão mais recente estavam participando ativamente dos treinos, sem qualquer cuidado especial. O outro aspecto foi a falta de um bom preparo físico e a resistência dos atletas em realizar os aquecimentos e alongamentos antes e após os treinos.

            Conclui-se que para qualquer programa preventivo ter sucesso, é necessário realizar um trabalho educacional que enfatize a biomecânica e as influências que o meio ambiente exerce nas atitudes e hábitos desenvolvidos e adotados pelos indivíduos. Deixando clara a importância de exercícios de preparo físico.

 

 

  

REFERÊNCIAS

 

TENROLLER, C. A.; TENROLLER, A. Preparação física no handebol. Porto Alegre: Calábria, 2006.

 

MACEDO, D. V. Efeitos de uma periodização de treinamento físico sobre o desempenho anual de uma equipe de handebol feminino sub-21. Dissertação de mestrado. Campinas, 2008.

 

ZAMBERIAN, E. Handebol: escolar e de iniciação. Cambé: Imagem, 1999.

 

ELENO, T. G.; BARELA, J. A.; KOKUBUN, E. Tipos de esforço e qualidades físicas do handebol. Rev. Bras. Cienc. Esporte 24(1) :83-98, 2002.

 

SEIL, R. et al. Sports injuries in team handball. Amerian Journal of Medicine 26(5):681-687, 1998.

 

CARAZZATO, J. G.; CABRITA, H.; CASTROPIL, W. Repercussão no aparelho locomotor da prática do judô de alto nível. Rev. Bras. Ortop. 31(12):657-968, 1996.

 

DIRX, M.; BOUTER, M.; GEUS, G. H. Aetiology of handball injuries: a case-control study. Br J SP Med 26(3):121-124, 1992.

 

CARRAZATO, J. G. Lesões típicas nos esportes. In: AMATUZZI, M. M.; CARRAZATO, J. G. Medicina do Esporte. São Paulo: Roca, 2004.

 

VLAK, T.; PIVALICA, D. Handball: the beauty or the beast. Croatian Medical Journal 45(5):526-530, 2004.

 

LANGEVOORT, G. et al. Handball injuries during major international tournaments. Scand J Med Sci Sports 17:400-407, 2007.

 

SANCHES, F. G.; BORIN, S. H. Lesões mais comuns no handebol. Anuário da Produção Acadêmica Docente 2(3):233-239, 2008.

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